Como manter a calma em tempos de crise

A palavra crise vem circulando nossos papos como nunca, e talvez ainda fique nas rodas de conversa do happy hour, nas conversas em frente a tv, nas reuniões de trabalho, nas redes sociais, nas contas vencidas por algum tempo, mesmo que a gente se canse dela ou sinta que algo já mudou, essa onda ainda respinga como mancha de café na camisa branca na hora de sair de casa e a gente tem que lidar isso, “da maneira mais civilizada possível”.

08Digo mais civilizada, pois a crise em todos os seus contextos e possibilidades, muitas vezes desperta em nós uns instintos menos amistosos, desde os mais comuns como reclamar, culpar, julgar até outros mais perigosos, como se acomodar, encontrar subterfúgios, se desesperar,  e ter atitudes que tragam a separação (de ideias, de pessoas, de nós mesmos).

Esse tipo de situação me remete a uma lembrança sobre algumas vezes que passei pelo “olho do furacão” como se costuma dizer, e também a outras vezes que vi amigos e clientes passar por ele. Quando se está “em meio a ” algo que não seja considerado bom ou fácil, a tendência é a gente meio que perder o eixo, se desestabilizar , se distanciar da nossa essência. É como uma pessoa que segura uma bandeja em cada mão e não pode derrubar, mas ela começa ter que equilibrar essas bandejas andando na corda bamba, com vento frio soprando no rosto, picadas de insetos e outras coisas mais e quando olha pro lado, vê gente cuja bandeja já foi pro chão. Tem gente juntando os cacos dos copos que caíram, tem gente que nem sentiu o vento balançar. E a gente fica se perguntando o que fazer, o que é o certo …como não se distanciar daquilo que é nossa essência numa hora dessas?

Uma coisa é algo de fora acontecer e a gente ter que se adaptar, se posicionar, se manter equilibrado. Outra coisa é, para isso, utilizar-se de estratégias pautadas no “agora tá valendo”, “fiz porque também não sou de ferro”,  ou “em tempos difíceis requer atitudes extremas”, como justificativa para pensamentos, atos e palavras que contradigam nossos reais valores, nosso jeito de ser. O ímpeto é uma arma cujas extremidades têm pontas apontadas para o outro e para quem o usa, onde mesmo quando se acredita que venceu, acaba por se perceber que algo também se perdeu.

A calma é uma atitude onde prevalece a conformação, é um trabalho onde “no olho do furacão” a pessoa pára, simplesmente para ver se consegue se localizar, ver se há outra alternativa sem ser se debater, agredir, gritar. Ao parar, a gente pode buscar perceber o que está em jogo: um copo, uma opinião, uma relação, uma parte da nossa vida; então podemos ter maior clareza de como nos colocar diante de cada situação, seja retrocedendo, seja buscando apoio, seja estruturando uma ação social, seja curando uma ferida descoberta… mas ainda sim, nos dando a chance de simplesmente não juntar cacos, pois basta a crise de fora, quanto mais a de dentro. A calma é amiga que, quando conseguimos dar a mão, traz o exercício da temperança, ensina a enxergar um leque de estratégias baseadas na construção e faz permanecer a essência do possível à superação de cada e toda crise.

Patricia Rosseti

Patricia Rosseti

Patrícia Rosseti é formada em Psicologia pela Universidade São Francisco, com experiência em psicologia clínica, psicologia social com adolescentes e famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, mediação de conflitos,projetos com pacientes psiquiátricos, em situação de rua e dependência química.Hoje atuacomo proprietária e psicóloga da Serenitá Serviços de Psicologia, projeto de clínica ampliada a empresas, escolas, instituições, famílias e grupos,através de atendimentos personalizados, psicoterapia e palestras.

Patrícia Rosseti -Psicóloga
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Patricia Rosseti

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